Poupar é importante, mas também é importante saber para que finalidade reservamos cada parte do nosso dinheiro. O fundo de emergência é uma reserva disponível para fazer face a imprevistos; a poupança de longo prazo destina-se a objetivos que se encontram a vários anos de distância.
Separá-los ajuda a evitar o recurso ao crédito perante uma despesa inesperada ou a utilização antecipada de uma poupança destinada ao futuro. Neste guia, explicamos como organizar estas diferentes necessidades em conjunto com as despesas do dia a dia e os objetivos mais próximos.
O regresso à rotina pode ser uma boa altura para rever a forma como organizamos o nosso dinheiro.
Um bom planeamento financeiro não começa pela escolha de um produto. Começa por separar necessidades, prazos e prioridades.
Quatro áreas para organizar a poupança
1. O dinheiro do dia a dia
É o dinheiro que utilizamos para as despesas correntes: habitação, alimentação, água, eletricidade e gás, transportes, prestações, seguros e lazer. Deve permanecer disponível e o respetivo montante dependerá do calendário de rendimentos e pagamentos de cada agregado familiar.
Conhecer este valor é o primeiro passo. Se não soubermos quanto custa, em média, um mês normal, será difícil calcular quanto podemos poupar ou de que montante necessitamos para fazer face a um imprevisto.
2. O fundo de emergência
O fundo de emergência é uma reserva destinada exclusivamente a despesas inesperadas que não estão previstas no orçamento mensal: uma reparação urgente, uma quebra temporária dos rendimentos ou uma necessidade familiar imprevista.
Não é o dinheiro destinado às férias nem uma poupança para compras que já sabemos que teremos de fazer.
Como referência geral, pode considerar-se a constituição de um fundo equivalente a entre três e seis meses de despesas essenciais, embora o valor adequado dependa sempre das circunstâncias de cada pessoa ou agregado familiar.
Uma pessoa com rendimentos variáveis, pessoas a cargo ou poucas alternativas de apoio pode necessitar de uma margem superior. Pelo contrário, quem partilha despesas e dispõe de rendimentos mais estáveis poderá definir um objetivo diferente.
O essencial é que este dinheiro esteja numa solução segura, separado do dinheiro utilizado no dia a dia e possa ser utilizado rapidamente quando necessário.
3. A poupança para objetivos próximos
Incluem-se aqui despesas que não constituem uma surpresa, embora ainda falte algum tempo até serem realizadas: substituir um automóvel, fazer obras em casa ou preparar uma celebração familiar.
Quando o objetivo tem uma data e um montante aproximados, o cálculo pode ser simples. Se daqui a doze meses forem necessários 2.400 euros, reservar 200 euros por mês permite avançar de forma organizada.
Se esse valor mensal não for realista, pode ajustar-se o prazo, o orçamento previsto ou ambos.
4. A poupança de longo prazo
A poupança de longo prazo destina-se a objetivos que se encontram a vários anos de distância, como complementar o rendimento na reforma, apoiar a futura formação dos filhos ou constituir um capital para uma eventual situação de dependência numa fase mais avançada da vida.
Nestes objetivos, a consistência é mais importante do que tentar encontrar sempre o momento perfeito.
O longo prazo permite distribuir o esforço ao longo do tempo, mas também exige escolher soluções que sejam bem compreendidas e coerentes com as necessidades, o horizonte temporal e a segurança pretendida.
As quatro funções do dinheiro
| Para que serve | Disponibilidade | Exemplos | |
| Dia a dia | Cobrir despesas habituais | Imediata | Contas, alimentação, transportes |
| Emergência | Fazer face a imprevistos | Rápida e sem surpresas | Avaria, quebra de rendimentos |
| Objetivos | Pagar despesas previstas | De acordo com a data | Férias, obras, automóvel |
| Longo prazo | Preparar etapas futuras | De acordo com o objetivo e a solução escolhida | Reforma, dependência, estudos dos filhos |
O que acontece quando misturamos os objetivos
Juntar todas as poupanças pode parecer mais simples, mas torna mais difícil perceber se cada necessidade está realmente coberta.
Além disso, pode conduzir a decisões pouco adequadas, como, por exemplo:
- Utilizar o fundo de emergência para despesas previsíveis. As férias, os presentes ou determinadas despesas anuais de manutenção deveriam ter uma verba própria.
- Destinar ao longo prazo dinheiro que poderá ser necessário em breve. Se surgir um imprevisto, recuperar antecipadamente essa poupança poderá não ser possível ou poderá ter consequências financeiras.
- Poupar para o futuro apenas se sobrar dinheiro. Quando a poupança depende do que resta no final do mês, tende a perder prioridade perante outras despesas. Uma contribuição periódica e realista facilita a consistência.
- Aplicar a mesma regra a todos os agregados familiares. Os rendimentos, as dívidas e as pessoas a cargo alteram as prioridades. Um acompanhamento personalizado pode ajudar a calcular a liquidez necessária e a organizar as diferentes alternativas de poupança e proteção.
Como começar sem complicar
Não é necessário reorganizar todas as finanças pessoais num único dia. Este processo pode ser feito de forma gradual.
- Calcule as suas despesas essenciais mensais. Inclua habitação, alimentação, água, eletricidade e gás, transportes, seguros, créditos e outras obrigações indispensáveis.
- Defina um primeiro objetivo alcançável para o fundo de emergência.
- Separe os restantes objetivos conhecidos. Atribua a cada um uma data, um montante aproximado e uma contribuição mensal possível.
- Automatize montantes realistas. É preferível começar com um valor mais reduzido que consiga manter do que definir um objetivo demasiado ambicioso que seja abandonado ao fim de pouco tempo.
- Reveja o plano pelo menos uma vez por ano. Também é aconselhável fazê-lo quando existem alterações relevantes nos rendimentos, nasce um filho, se compra uma casa, surge uma dívida significativa ou se aproxima a reforma.
E se os rendimentos variarem todos os meses?
Os trabalhadores independentes, profissionais por conta própria e agregados familiares com rendimentos variáveis necessitam de um método um pouco mais flexível.
Pode ser útil calcular as despesas essenciais de forma prudente, utilizar como referência um nível de rendimento conservador e reservar uma percentagem de cada montante recebido, em vez de estabelecer sempre um valor fixo.
Também é conveniente separar desde o início o dinheiro destinado ao pagamento de impostos ou a despesas profissionais. Esses montantes não fazem parte do fundo de emergência pessoal, mesmo que temporariamente se encontrem na mesma conta bancária.
Quando os rendimentos são irregulares, a constituição do fundo de emergência pode demorar mais tempo. O importante é criar um sistema que seja possível manter mesmo nos meses menos favoráveis.
Também pode ser útil reservar os rendimentos extraordinários quando estes surgem e transferir posteriormente, de forma periódica, um determinado montante para a conta utilizada nas despesas habituais, ajudando assim a compensar automaticamente os meses em que os rendimentos são mais baixos.
Poupança e proteção têm funções diferentes
O fundo de emergência permite suportar determinadas despesas recorrendo a recursos próprios.
Existem, no entanto, situações cujo impacto económico pode ultrapassar significativamente essa reserva, como a morte ou a invalidez de uma pessoa cujo rendimento seja importante para o agregado familiar.
Para estes riscos existem mecanismos de proteção específicos, como os seguros de vida, que podem contribuir para proteger financeiramente a família de acordo com as coberturas e o capital contratados.
Por isso, um planeamento financeiro completo pode combinar liquidez para os imprevistos do dia a dia, poupança para objetivos concretos e proteção perante situações com um impacto económico mais significativo.
Não são soluções que concorram necessariamente entre si: cada uma procura responder a uma necessidade diferente.
Faça três perguntas fundamentais:
O que pode acontecer? Quando poderei precisar do dinheiro? Que impacto teria essa situação na minha família?
Estas perguntas ajudam a decidir que parte do dinheiro deve permanecer disponível, que parte pode ser reservada para mais tarde e que riscos poderão necessitar de uma solução de proteção específica.
Cada euro deve ter uma função
Cada parte da poupança deve responder a uma necessidade: despesas habituais, imprevistos, objetivos previstos ou futuro. Separá-las proporciona maior clareza e reduz a possibilidade de tomar decisões precipitadas.
Na España, S.A., entendemos que planear começa por definir cada objetivo e avaliar as alternativas de poupança e proteção de acordo com as circunstâncias pessoais, profissionais e familiares.
Quando a situação o justificar, o acompanhamento de um profissional pode ajudar a analisar as diferentes opções e a tomar decisões de forma mais informada.
Perguntas frequentes
O fundo de emergência e a poupança são a mesma coisa?
Não. O fundo de emergência é uma parte da poupança especificamente reservada para fazer face a imprevistos.
Outras poupanças podem destinar-se a despesas previstas, objetivos concretos ou necessidades de longo prazo.
Quanto devo ter no fundo de emergência?
Como referência geral, pode considerar-se um valor equivalente a entre três e seis meses de despesas essenciais.
O montante adequado depende, no entanto, dos rendimentos do agregado familiar, da estabilidade desses rendimentos, das pessoas a cargo, das dívidas existentes e de outras circunstâncias pessoais e profissionais.
Onde devo guardar o fundo de emergência?
Numa solução segura, separada do dinheiro utilizado no dia a dia e que permita um acesso rápido ao dinheiro quando necessário.
Posso começar a poupar a longo prazo antes de completar o fundo de emergência?
Sim. Com um planeamento adequado, é possível avançar simultaneamente com os dois objetivos, destinando montantes diferentes a cada um.
O que faço se não conseguir poupar todos os meses?
Comece com um montante reduzido ou reserve uma percentagem sempre que receber rendimentos extraordinários.
A regularidade ajuda, mas o sistema deve adaptar-se à sua realidade financeira.
Quando devo rever o meu planeamento?
Pelo menos uma vez por ano e sempre que exista uma alteração relevante: emprego, rendimentos, habitação, nascimento de filhos, separação, novas dívidas ou aproximação da reforma.
Fontes
Todos Contam — Fundo de emergência
Informação sobre a importância de constituir uma reserva financeira destinada a situações imprevistas.
Banco de Portugal — Portal do Cliente Bancário — Como elaborar um orçamento familiar
Informação sobre rendimentos, despesas, orçamento familiar e organização financeira.
Todos Contam — Poupar e investir
Informação sobre poupança, objetivos financeiros e preparação de necessidades futuras.
España, S.A. Compañía Nacional de Seguros. Seguros de ahorro Consultar fuente

